O Quarto de Século que Mudou a Diplomacia: As Mulheres que Recreiam a Paz em África

Quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas adoptou, no outono do ano 2000, a Resolução 1325, o mundo concordou, pelo menos no papel, com uma verdade fundamental: não pode haver paz duradoura sem a voz e a liderança das mulheres. Esta quinta-feira, no Hotel Intercontinental em Luanda, essa premissa deixa de ser apenas teoria jurídica e passa a ser um debate vivo e estratégico entre aquelas que moldam os corredores do poder em África.

Sob a condução de Ana Paula do Sacramento Neto, Ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher de Angola, o primeiro painel do II Fórum Internacional da Mulher assume a responsabilidade de fazer o balanço de vinte e cinco anos de avanços, recuos e promessas por cumprir. O relógio marcará o meio-dia quando algumas das mentes mais brilhantes da diplomacia regional subirem ao palco para confrontar os desafios da governação inclusiva.

O painel de debate parece uma radiografia da própria liderança institucional do continente. Estarão presentes Justice Effie Owuor, a força motriz por trás da Femwise Africa, e Bineta Diop, cujo nome se confunde com a própria fundação da Rede de Mulheres Líderes Africanas. Ao lado delas, o pragmatismo de quem conhece os bastidores da geopolítica global: a Embaixadora Josefa Sacko, representante de Angola na Itália; Bintou Keita, cuja vasta experiência como ex-Subsecretária-Geral da ONU para África traz o peso das realidades do terreno; e Constância Adelina Gaspar, que ergue a voz da União Africana em Washington.

A fechar o círculo de reflexão, junta-se a perspectiva de Maiomouna Cherif Haidara, vinda directamente do gabinete do Enviado Especial da ONU para a Região dos Grandes Lagos — uma das zonas onde o nexo entre género, segurança e desenvolvimento continua a ser mais desafiador.

Mais do que uma mera celebração de aniversário, o encontro de Luanda surge num momento crítico. Num continente onde os processos de mediação formal ainda são maioritariamente dominados por homens, estas líderes procuram demonstrar que a liderança feminina não é uma questão de preenchimento de quotas, mas sim uma exigência fundamental para a estabilidade e sobrevivência democrática da África de amanhã.