Por que a África Precisa das Mulheres na Mesa de Decisão?
Historicamente, as mulheres e as crianças são as principais vítimas dos conflitos armados no continente. No entanto, quando as armas se calam e as mesas de negociação são montadas, as cadeiras de decisão continuam, esmagadoramente, a ser ocupadas por homens. É contra este paradoxo que a Membro do Conselho da República de Angola, Dra. Suzana Mendes, se levanta.
Na sala de conferencia em que contece o II Fórum Internacional para a Paz e Democracia, o som de diferentes sotaques africanos vem em certo com os passos de líderes, intelectuais e activistas. O cenário é de celebração, mas os debates carregam a urgência de um continente que ainda procura curar feridas profundas. É neste ecossistema de diálogo que encontramos a Dra. Suzana Mendes, que aos seus olhos reflectem não apenas o entusiasmo pelo evento, mas a lucidez de quem sabe que a paz real não se constrói sem metade da população.
A conselheira defende que a presença feminina não deve ser um acto de caridade ou preenchimento de quotas superficiais. Deve ser uma estratégia central. A sensibilidade e a perspetiva de género na mediação de crises e nas missões de paz da União Africana e das Nações Unidas trazem para a mesa prioridades muitas vezes esquecidas, como a reconstrução social, o apoio psicológico e a segurança comunitária.
“A necessidade de uma cada vez maior inclusão das mulheres nos processos de paz deve fazer-se sentir principalmente ao nível da tomada de decisão nos processos de negociação e nas missões de paz”, sublinha a conselheira.
Entre painéis de alto nível e debates acesos, Suzana Mendes faz questão de louvar o esforço dos organizadores e parceiros em criar um espaço de tamanha excelência.
o compromisso deixado por vozes como a de Suzana Mendes: o caminho para uma África próspera e silenciada em termos de conflitos passa, obrigatoriamente, por dar poder, voz e voto às suas mulheres. A paz do futuro tem rosto feminino, e o futuro já começou em Luanda.
